sexta-feira, 23 de setembro de 2011




Pela primeira vez a realidade da sua ausência falou mais alto que a fantasia de meses a sua espera. E pra te falar ainda mais a verdade, eu acho mesmo que você foi o príncipe que eu esperei a vida inteira. Porque eu te juro, de todas as coisas do mundo, eu só queria olhar pra você. Eu escolheria você. Se me dessem um último pedido, eu escolheria ter você.


Ainda vou calar a boca de muita gente.

amor ):

As pessoas falam muito sobre amor. "O amor é sublime, o amor é mágico, o amor é puro". Falam do amor como se fosse o sentimento mais perfeito e mais intocável. Fazem músicas de amor, sonetos de amor, odes ao amor, exaltam o amor em toda e qualquer oportunidade que têm. O que toda essa gente não sabe, é que o amor não é um só, ele não é único e não é sempre bonito assim. O amor tem várias faces. E eu acredito em somente dois tipos de amor: o amor fraterno e o amor efêmero. Mas não quero falar do primeiro, apenas do último.

O amor efêmero não pode ser confundido com promiscuidade sentimental, porque esta geralmente vem acompanhada de uma dose -cavalar ou não- de crueldade que me enoja, posto que já fui vítima disso. Esse amor de que falo é aquele que chega rápido e acaba rápido. Não, eu não chamo isso de paixão, porque é diferente. Amor efêmero não é pensar 24 por dia em uma pessoa e sentir uma vontade louca de trepar a cada dez minutos, isso sim é paixão. Amor efêmero consiste em gostar, em se importar, em querer bem, mas com um certo limite de caracteres emocionais.

É uma espécie de amor racional, só. Aquele no qual a gente tem mais possibilidades de dar um basta, dizer que chega e cumprir com o que fala. Um amor que não consegue ser maior que o nosso amor próprio, um amor que enxerga defeitos e reinvindica melhorias. Por isso que digo que é a forma de amar mais justa, porque ele não transpõe a nossa capacidade de agüentar a barra. Ahh, como o mundo seria melhor se todo mundo amasse assim, com os olhos abertos... Mas em vez disso, chamam meu amor preferido de cafajestagem. Cegos.

Brasileiro !

Brasileiro sofre demais. Leva porrada da vida todo santo dia e ainda sai com a cabeça erguida, mesmo que a cabeça esteja doendo. Brasileiro chega em casa, cansado de um dia horrível no trabalho, liga a televisão e vê nos telejornais que o salário dos deputados duplicou, triplicou, quadruplicou, exagerou, exorbitou e desrespeitou, enquanto o seu salário encolheu. E o que se pode fazer? Nada, foi Brasileiro quem votou. Brasileiro colhe o que plantou.

Brasileiro sai na rua de carro pra trabalhar, e se tem carro bom, volta a pé pra casa. Levaram até o dinheiro do táxi. E o que Brasileiro faz? Compra outro carro depois de um tempo, com dinheiro suado, pagando imposto injusto, pra ter o carro novo, ou nem tão novo assim, pelo tempo que Deus permitir, porque o seguro é caro demais. A polícia não protege o Brasileiro. A não ser que ele seja traficante, e pague propina no valor de diamante.

Brasileiro tem filho e dá as tripas para criar: comida, vestimenta, lazer, escola. Principalmente escola. Ou o moleque vira marginal e vai contribuir para o aumento da lista daqueles que mal sabem escrever o nome, ou ler a placa da rua, a tal da lista que já não é pequena. Mas Brasileiro tem que pagar escola além do imposto que paga pro filho estudar "de graça". Porque se o filho for estudar "de graça", sai semi-analfabeto e predestinado a ser desempregado.

Por falar em desemprego, e se Brasileiro cai nessa vala? Aí vai tudo por água a baixo... Ou nem isso, pois pode haver corte de água. Brasileiro -que era advogado, médico, engenheiro-, vai vender cachorro quente pra turista estrangeiro, faxineiro, lixeiro, violeiro, macumbeiro... Pra quem quiser comprar primeiro. A vida não é fácil pra Brasileiro: ele não sabe o que é mais raro, tranqüilidade ou dinheiro.